Não sei o porquê de ainda estar a escrever para ti. Porque o meu grande amor; esse já se foi. Já não faz mais parte da minha rotina diária. Já pouco é aquilo que partilhamos. Já nenhumas são as frases de carinho e conforto. Já não há paixão. Apenas uma leve amizade, se é amizade que lhe posso chamar. Uma simples amizade como se fossemos apenas conhecidos. E quem vir esta relação de fora, nem acredita no maravilhoso passado que está atrás das nossas costas. Maravilhoso sim, porque não houve só dor e sofrimento. Houve também milhões de momentos que foram únicos. Houve amor. Houve a história mais linda. História essa que acabou.
Vivo muito a minha vida numa fantasia. E apenas quando sofro é que caio por uns momentos na realidade. Mas a maior parte das vezes vivo como se a minha vida fosse uma peça de teatro, um filme. Em que agora, tu és o espectador. És o principal espectador, aquele que está na primeira fila.
E agora tu estás aí, sentado nessa cadeira a observar o meu espectáculo. Estás a observar o meu dia-a-dia. Todos os passos que dou, tudo aquilo que faço. Estás a observar a maneira simples como estou a viver. Estás a ver e pensar que eu segui em frente, e será que estás orgulhoso de mim? Por saberes que fui forte e deixei toda aquela dor que me causavas para trás.. Mas todo este acontecimento é um sonho meu, é fruto da minha imaginação. Sei que é impossível estares aí sentado na tua cómoda cadeira a seguir toda a minha rotina. Será que eu ainda interrompo os teus pensamentos? será que não consegues tirar-me totalmente da tua cabeça? Seja quais forem as respostas destas perguntas, já pouco me importam. Não quero nem sequer saber quais são. Eu segui em frente e não quero que o passado se atravesse à minha frente como um obstáculo. A escuridão não me mete mais medo, sou forte. E agora se voltar a cair, já sei como me levantar. Quero apenas saber que tenho a tua amizade e que mesmo que queiras, nunca te conseguirás esquecer de mim. O resto não importa mais. As memórias que tenho de ti, estão-se a tornar cada vez mais vagas. A tua cara desfalece cada vez mais. O significado que davas á minha vida está-se a esvaziar dentro de mim, tão depressa. Todo este caminho que percorri nos últimos tempos, me fez aprender uma lição. Lição essa que eu quis memorizar. Aprendi a viver sem ti do meu lado, coisa que eu achava impossível. Sinto a tua falta, não nego, mas ainda assim finjo não senti-la. Eras a canção que eu mais gostava de ouvir na rádio, eras a inspiração para cada texto, eras a razão de querer viver, a razão do batimento do meu coração. Só quero agora que sejas feliz e completo como nunca antes foste comigo. Obrigada por teres sido essa mesma lição. Pois agora serás um texto e não a razão do texto. Agora seguiremos caminhos diferentes. Ainda assim, não consigo evitar parar de pensar em ti. Mas a verdade é que agora estou bem.
Gostava ainda de poder olhar-te uma última vez nos olhos, pedindo-te desculpa por não ter conseguido fazer-te feliz o suficiente para que isto durasse e recebendo o último abraço, o abraço de despedida; que não me chegas-te a dar, uma ultima conversa que sempre quis ter, mas isso não é mais possível. Ainda assim, continuo a passar algumas noites na varanda, perdida na minha música a olhar para lua; pensando que na tua varanda estarás tu a olhar também. E assim, sei que estamos unidos.
Até um dia que as nossas vidas se voltem a cruzar Bruno, ou até nunca mais.
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